Três dias em junho: um olhar honesto sobre o casamento, luto, separação e ainda sobre o amor

Anne Tyler, vencedora do Prêmio Pulitzer, possui um talento raro: o de transformar a vida comum em algo extraordinário. Em Três dias em junho, publicado pela Astral Cultural, ela utiliza um recorte temporal curtíssimo, apenas 72 horas, para dissecar as complexidades de uma família em crise, provando que não é preciso uma vida inteira para narrar uma grande história de erros e recomeços.

Aos 61 anos, Gail Baines sente que o chão está cedendo. É o caos. de Gail. Além da incerteza profissional, ela lida com o distanciamento da filha, Debbie, que está prestes a se casar e a excluiu dos preparativos finais. Como se a tensão pré-cerimônia não fosse suficiente, seu ex-marido, Max, ressurge sem aviso em sua porta, trazendo consigo as malas e o peso de um passado mal resolvido.

A narrativa mergulha na percepção de Gail sobre a individualidade e a solidão que precede qualquer união:

“A vida não começa com alguém ao seu lado; você começa completamente sozinho. Você passa pela infância, adolescência e juventude, como via de regra, antes de conhecer sua cara-metade.”

A chegada de Max funciona como um espelho para Gail. Através de suas interações, o leitor compreende que a separação não foi o fim das complicações, mas o início de uma nova fase de mal-entendidos. Gail reflete sobre o período em que ele partiu, afinal, cicatrizem não se fecham:

“Max se mudou. Alugou um apartamento na St. Paul, empacotou todos os seus pertences e desapareceu. Sem discussão. Foi bem mais difícil do que eu esperava, devo dizer. Achei que as coisas fossem ficar mais simples uma vez que desenredássemos nossas vidas, mas durante um tempo tudo pareceu mais complicado. Mais suscetível a mal-entendidos.”

Inegavelmente, a verdadeira crise, no entanto, explode quando Debbie revela um segredo sobre seu noivo. O evento não apenas ameaça o altar, mas força Gail e Max a encararem as razões reais do desmoronamento de seu próprio casamento, expondo sentimentos que o tempo apenas camuflou.

A anatomia de sentimentos sem apresenta no texto quando Anne Tyler é cirúrgica ao descrever o luto de uma relação. Ela entende que as emoções não são lineares e que a hostilidade muitas vezes serve como um escudo temporário:

“A raiva é muito melhor do que a tristeza. Mais pura, de alguma forma, e mais definida. Mas então, quando a raiva passa, a tristeza volta, do jeitinho de sempre.”

Três dias em junho

Este livro é indicado para leitores  fãs de dramas familiares, ou seja, para quem apreciam histórias focadas em diálogos, dinâmicas de poder entre pais e filhos e as entrelinhas das relações. Bem como, para admiradores de narrativas intimistas; para aqueles que preferem o desenvolvimento de personagens e a profundidade psicológica em vez de reviravoltas frenéticas de ação. Desse modo, para leitores que gostam de pensar sobre segundas chances, o peso do passado e como lidamos com as decepções da vida adulta.

Vale a pena ler Três dias em junho, por conta da escrita primorosa de Anne Tyler. Ela consegue ser comovente sem ser sentimentalista, oferecendo um olhar honesto sobre o casamento e o amor. Em uma edição cuidadosa da Astral Cultural, o livro é uma leitura essencial de uma autora consagrada com o Prêmio Pulitzer, capaz de nos fazer enxergar nossas próprias famílias com um pouco mais de ternura e compreensão.

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Três  dias em junho, está disponível na Amazon e nas principais livrarias do país.

Três dias em junho

“[Um olhar] perspicaz sobre família, amor e casamento”― David Nicholls, autor best-seller de Um dia

“Leia pelos personagens excêntricos, pelos diálogos perfeitos, pelo humor e pelos momentos comuns tão primorosamente descritos que trazem lágrimas aos olhos.” ― Liane Moriarty, autora best-seller

Gail Baines não está em seu melhor momento. Aos 61 anos, ela pode ― ou não ― ter perdido o emprego e sua única filha, Debbie, que vai se casar em poucas horas, não a convidou para os preparativos pré-cerimônia. Além disso, Max, seu ex-marido, aparece sem avisar na porta de sua casa para se hospedar ― e ele não chega de mãos vazias…

Mas a verdadeira crise se instaura quando Debbie conta aos pais um segredo que acabou de descobrir sobre seu futuro marido. Isso não só põe o casamento da filha em risco, mas também traz o passado de Gail e Max à tona, assim como os motivos que fizeram a antiga relação desmoronar.

Concentrada em três dias ― e Anne Tyler não precisa mais do que isso para encantar o leitor ―, esta história, permeada de erros e recomeços, traz um olhar comovente sobre o amor, o casamento e as segundas chances.

Nesta entrevista exclusiva para a CBS, a autora vencedora do Prêmio Pulitzer, conhecida por livros como Jantar no Restaurante da Saudade, “O Turista Acidental, Lições de Respiração e Um Carretel de Linha Azul, conversa com o correspondente nacional do Sunday Morning, Robert Costa, sobre seu mais recente romance, Três dias em junho, e seus hábitos de escrita.

Anne também fala sobre o ativismo de sua família; sobre como conheceu seu marido, o falecido romancista e psiquiatra iraniano Taghi Modarressi; e por que o casamento é um tema recorrente em sua obra.

Assista à entrevista  no canal CBS Sunday Morning no YouTube:

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