Síndrome da Impostora: um mergulho profundo nas raízes históricas, culturais e sociais que moldam a autopercepção feminina
Por que tantas mulheres brilhantes, experientes e amplamente reconhecidas em suas áreas sentem que, a qualquer momento, serão descobertas como uma fraude? Em Síndrome da Impostora, a jornalista Élisabeth Cadoche e a psicoterapeuta Anne de Montarlot unem forças para investigar esse fenômeno que, longe de ser um problema individual, revela-se como uma questão estrutural e coletiva.
Publicado pela Editora Nacional, o livro é um mergulho profundo nas raízes históricas, culturais e sociais que moldam a autopercepção feminina. Ao cruzar relatos de figuras icônicas como Michelle Obama — esposa do 44.º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a 46.ª primeira-dama dos Estados Unidos, sendo a primeira afro-descendente a ocupar o posto —, as autoras constroem um mapa nítido de como a insegurança é alimentada por fatores externos, desde a pressão da indústria da beleza até a falta de redes de apoio sólidas entre mulheres no ambiente de trabalho.
Uma das grandes contribuições da obra é a diferenciação entre a falta de autoconfiança comum e a perversidade da síndrome da impostora. As autoras explicam que a confiança pode ser situacional:
“A autoconfiança pode ser variável dependendo da situação: você pode estar muito confiante para captar fundos de investidores, mas muito menos confiante no meio de uma festa em que não conhece muitas pessoas. Ou seja, quando você tem um certo nível de autoconfiança, o desconhecido é um pouco menos aterrorizante, porque você sabe que conseguirá sobreviver sem medo de passar vergonha, de sofrer humilhação ou rejeição.”
No entanto, quando entramos no terreno da síndrome da impostora, o sucesso não atua como um remédio, mas como um gatilho para a ansiedade. O livro descreve esse mecanismo de forma precisa:
“Embora a falta de autoconfiança possa diminuir com ações e realizações, a síndrome da impostora é uma variante espinhosa e perversa que pode ser descrita pela seguinte frase: quanto mais bem-sucedida uma pessoa é, mais ela duvida do que conquistou. Evidências extremas e concretas de sucesso são sistematicamente ignoradas e até criticadas. Embora uma pequena dose de dúvida seja necessária para se ter uma visão objetiva, o sentimento de impostora impede que a pessoa aceite seus sucessos e até a convence do contrário. Assim, ela sempre acredita que está enganando a todos sobre seu nível ‘real’ de capacidade e inteligência. É a receita perfeita para aumentar a ansiedade. E é por isso que a síndrome da impostora geralmente atinge mulheres brilhantes.”
Para tornar a teoria aplicável, Cadoche e Montarlot identificam cinco perfis recorrentes que ajudam a leitora a identificar suas próprias armadilhas mentais:
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A Perfeccionista: Nunca está satisfeita; um pequeno erro anula todo o sucesso. Para ela, o sucesso não basta; ele precisa ser impecável. Se ela atinge 99% de uma meta, foca obsessivamente no 1% que faltou. Acredita que, se não fizer tudo perfeitamente, ela não é realmente competente. Como armadilha, tem dificuldade em delegar, pois ninguém fará “tão bem” quanto ela, e tendência ao esgotamento por excesso de detalhes.
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A Especialista: Sente que precisa saber tudo antes de começar ou falar, pois a sua régua de competência é baseada no “quanto” ela sabe. Ela nunca sente que tem informações suficientes e vive em uma busca incessante por mais um curso, mais uma certificação ou mais um título antes de se sentir pronta para um desafio. Seu gatilho é ter medo de ser exposta como “ignorante” se não souber responder a uma pergunta específica, podendo perder oportunidades por achar que “ainda não está qualificada”, mesmo sendo mais preparada que a média.
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A Independente: Acredita que pedir ajuda é sinal de incompetência. Para ela, pedir ajuda é um sinal de fraqueza e uma prova de que ela não é capaz. Ela sente que, para o sucesso ser legítimo, ela precisa ter feito absolutamente tudo sozinha, até porque acredita que precisar de alguém “anula” sua conquista. Todavia, a sobrecarga extrema e isolamento, o que impede o crescimento através da colaboração.
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A Superdotada: Se não consegue algo de primeira, sente-se uma fraude, por basear sua competência na facilidade e na velocidade. Se ela precisa se esforçar muito para aprender algo novo, conclui que, na verdade, é uma fraude e que seu talento anterior era sorte. A ideia de que “se eu fosse realmente boa nisso, não seria tão difícilˆmas por outro lado, evita desafios que não domina de imediato para não ferir a autoimagem de “brilhante”.
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A Supermulher: Tenta dar conta de tudo, na carreira, em casa e nas relações com perfeição absoluta, afinal ela sente que precisa ter sucesso em todas as esferas da vida simultaneamente: ser a profissional impecável, a mãe perfeita, a parceira dedicada e a amiga onipresente. Se falha em qualquer um desses papéis, sente-se uma impostora completa, portanto, a necessidade de provar que consegue “dar conta de tudo” para compensar a insegurança interna. E com isso, é o perfil mais propenso ao burnout, pois a sua autoestima depende da validação externa em múltiplas frentes.
Síndrome da Impostora é indicado para mulheres em transição de carreira ou cargos de liderança, ou seja, para quem que precisam de ferramentas para lidar com a pressão e o reconhecimento, como também, para líderes e gestores de todos os gêneros, para aqueles que desejam entender como criar ambientes mais inclusivos e produtivos, combatendo a insegurança de suas equipes. Porfim, para quem quer se blindar contra crenças limitantes.
Vale a pena ler esta obra porque ela não oferece apenas um diagnóstico, mas um caminho de libertação. Ao publicar Síndrome da Impostora, a Editora Nacional entrega um guia prático para que as mulheres deixem de ser suas maiores críticas e passem a ser suas maiores aliadas. É um convite necessário para transformar a dúvida em ação e o isolamento em coletividade, provando que o sucesso não é um erro de percurso, mas o resultado legítimo de sua capacidade e esforço.
Altamente recomendado!
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Síndrome da Impostora, está disponível na Amazon e nas principais livrarias do país.
Um convite à reflexão sobre como a história, a cultura e as relações ainda influenciam o modo como as mulheres se percebem. A cena é comum: mulheres brilhantes, experientes e reconhecidas em suas áreas, que não se sentem merecedoras de suas conquistas pessoais e profissionais. O que pode parecer um sentimento individual é, na verdade, um fenômeno coletivo.
Partindo de relatos impactantes, como os de Michelle Obama e Simone Veil, Síndrome da impostora reúne pesquisas científicas, estudos de casos clínicos e entrevistas para analisar o porquê de tantas mulheres não se sentirem a altura de suas realizações. A jornalista Élisabeth Cadoche e a psicoterapeuta Anne de Montarlot mostram ainda como fatores externos, como o marketing e a indústria da beleza, retroalimentam a insegurança feminina.
Segundo as autoras, até mesmo a desunião entre mulheres em ambientes profissionais ou sociais reforça essa sensação de isolamento e ilegitimidade. Ao identificar os cinco perfis recorrentes da impostora (a Perfeccionista, a Especialista, a Independente, a Superdotada e a Supermulher), o livro oferece caminhos práticos para lidar com a falta de autoconfiança, reconhecer as próprias conquistas e se libertar de crenças limitantes.
Anne Ghesquière recebe a jornalista Élisabeth Cadoche e a psicoterapeuta Anne de Montarlot, autoras do livro Síndrome da Impostora, no programa Métamorphose, éveille ta conscience.
Medo do fracasso, sentimentos de inutilidade, insegurança, sensação de ilegitimidade… a falta de autoconfiança afeta muitas pessoas, principalmente mulheres. Tanto na vida profissional quanto na pessoal, algumas chegam a vivenciar sua forma mais extrema: a síndrome do impostor. Com minhas convidadas, exploraremos suas origens, suas manifestações, mas também, e principalmente, como ela pode se tornar uma força motriz para reverter essa tendência e aprender a acreditar em si mesma!
Confira no canal Métamorphose, éveille ta conscience no YouTube:
DANIEL MORAES, escritor, editor, influencer, jornalista e assessor de imprensa e bookaholic assumido, criou o site Irmãos Livreiros onde mantem atualizado com as novidades do mercado editorial.
É autor do livro Bodas de Papel publicado pela Editora Rouxinol, e a convite da Lura Editorial foi curador das antologias O Canto dos Contos e Contos de Natal. Neste ano de 2019, assumiu a organização da antologia O Canto dos Contos – primavera e a nova antologia Contos de Natal.













