Quando navios partem: obra essencial que valida os sentimentos de quem enfrenta situações de vulnerabilidade e violência doméstica
Abordar temas sensíveis na literatura infantil e infantojuvenil exige delicadeza, profundidade e, acima de tudo, respeito à sensibilidade do leitor.
Em Quando navios partem, publicado pela Editora Peirópolis, os autores encontram na metáfora o caminho perfeito para tratar da violência doméstica, transformando a dor em uma jornada de coragem e esperança.
A narrativa acompanha Celeste e sua mãe, que quase todos os dias caminham até o porto para ver os navios partirem. Ali, a menina em sua ingência e sensível imaginação inventa uma brincadeira: escolhe um navio e o observa até vê-lo desaparecer no horizonte para muito longe até que os olhos alcance.
Em contrapartida, as noites em casa, no entanto, contam outra história: um vazio que Celeste ainda não sabe como expressar, contudo, desperta nela o forte desejo de ser como os navios que havista no cais do porto e fazer o que deseja: poder partir para nunca mais retornar.
Desta forma, a tensão desse cotidiano é marcada por momentos de angústia silenciosa, como quando o ambiente familiar se fragmenta:
“O pai fechou o porta-malas do carro e disse que voltaria em breve aquela noite”
Diante daquela realidade opressiva, o olhar de Celeste se estende para as outras pessoas, buscando reflexos de sua própria vontade de escapar e encontrar paz:
“A menina olhava as pessoas embarcando e ficava pensando se elas também desejavam ir embora, como ela tantas vezes queria.”
A virada da história acontece quando, finalmente, Celeste e sua mãe reúnem forças para embarcar rumo a um horizonte próprio, enfim deixando para trás toda aquele cenário que a incomoda e a entristece.
Entretanto, para dar conta de uma temática tão complexa sem perder a leveza, as belíssimas ilustrações de Juão Vaz dão ao texto o respiro e acalma o que o livro propôe, transformando o peso da partida em um sopro de liberdade.
Vale a pena ler Quando navios partem, publicado pela Editora Peirópolis, porque o livro trata de um assunto urgente e doloroso com uma delicadeza artística ímpar e singular.
Inegavelmente é uma obra essencial que valida os sentimentos de quem enfrenta situações de vulnerabilidade e violência doméstica, mostrando que sempre é possível buscar um novo horizonte, reescrever o próprio destino e encontrar um porto seguro onde a esperança finalmente possa navegar.
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Kingston James é um garoto de doze anos e tem certeza de que seu irmão, Khalid, virou uma libélula. Apesar de Khalid ter morrido inesperadamente e se transformado em uma libélula do bayou da pequena cidade de Lousiana, ele ainda se mantém sempre próximo de King, fazendo visitas em seus sonhos.
Lidar com tudo isso seria mais fácil se o garoto pudesse buscar o apoio de seu melhor amigo, Sandy Sanders — mas, como último conselho ainda em vida, Khalid disse a King para romper a amizade com Sandy, pois havia descoberto que ele poderia ser gay: “Você não quer que ninguém pense que você é gay também, ou quer?”.
Mas quando Sandy desaparece, colocando toda a cidade, a sua procura, King descobre que seu ex-melhor amigo está em uma barraca no seu quintal, se escondendo de seu pai abusivo. Assim, os dois começam uma aventura, construindo um paraíso privado no bayou, entre as libélulas. Quando a amizade de Sandy e King é retomada, ele é forçado a confrontar questões sobre si mesmo e sobre a morte de seu irmão.
King e as libélulas explora raça, sexualidade, luto e identidade de uma forma íntima e próxima aos jovens, com uma lição de amor e libertação.
Neste vídeo você verá como desenhar um navio do exército facilmente.
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DANIEL MORAES, é jornalista por formação e bookaholic por vocação. Ttransformou seu amor pela literatura no projeto Irmãos Livreiros, uma vitrine para o mercado editorial brasileiro. Além de atuar nos bastidores do setor com foco em branding e eventos do mercado de livros.












