O Diálogo entre o ensino e a aprendizagem: um marco na educação brasileira
O diálogo entre o ensino e a aprendizagem, de Telma Weisz, consolidou-se como uma referência para educadores em todo o Brasil. Publicado pela Editora Peirópolis, é uma obra que apresenta pesquisa acadêmica, experiência de campo e uma profunda reflexão crítica sobre o ato de ensinar.
Vale aqui ressaltar que em sua nova e belíssima edição, revista e atualizada, Telma Weisz reafirma a alfabetização como uma ponte para a cidadania e a participação efetiva na cultura escrita.
O cerne da obra reside na compreensão de que a interpretação da criança não é rasa. Pelo contrário, ela é um sujeito ativo que elabora hipóteses complexas sobre o mundo. Para compreender essa jornada, é necessário abraçar a base do pensamento da autora:
“Pela perspectiva construtivista, é preciso aceitar a ideia de que nenhum conceito – nem o número, nem a quantidade, nem nada – nasce com o sujeito ou é importado de fora, mas precisa ser construído. E que para isso o aprendiz passa por um processo que não tem a lógica do conhecimento final, já construído.”
Um dos pontos mais fascinantes do texto é a valorização do processo de aprendizagem em detrimento do resultado imediato. Telma Weisz nos convida a olhar para as tentativas das crianças, muitas vezes lidas como erros pela escola tradicional, como degraus lógicos e necessários.
“O que move as crianças é o esforço para acreditar que atrás das coisas que elas têm de aprender existe uma lógica. De certa maneira, aprender é, para elas, ter de reconstruir suas ideias lógicas a partir do confronto com a realidade. E é exatamente porque nem tudo o que elas têm de aprender é lógico – ou tem uma lógica que esteja ao seu alcance imediato – que constroem ideias aparentemente absurdas, mas que são importantes no processo de aprendizagem.”
Inegavelmente, se a aprendizagem é uma construção do aluno, o professor deixa de ser um mero transmissor de informações para se tornar um estrategista, alguém que medeia a relação entre o aluno e o conhecimento.
“A visão que se tem do professor hoje é a de alguém que desenvolve uma prática complexa para a qual contribuem muitos conhecimentos de diferentes naturezas. Ele é mais do que uma correia de transmissão, alguém que simplesmente serviria de ligação entre o saber constituído e os estudantes. Seu papel agora tende a ser mais exigente: precisa se tornar capaz de criar ou adaptar boas situações de aprendizagem,
adequadas aos estudantes reais, cujos percursos de aprendizagem ele precisa saber reconhecer.”
Este livro é indicado para professores alfabetizadores e educadores infantis que buscam renovar sua prática e compreender as hipóteses de escrita de seus alunos, bem como para estudantes de Pedagogia e Letras, pois coincide os que desejam uma base sólida sobre o construtivismo aplicado à realidade da sala de aula brasileira.
E por fim, a obra também é indicada para gestores escolares e formadores de professores, ou seja, para quem os interessados em promover uma educação que respeite os direitos de aprendizagem da infância.
Vale a pena ler O diálogo entre o ensino e a aprendizagem porque ela humaniza o processo de ensino. Telma Weisz nos lembra que alfabetizar não é apenas ensinar a decodificar letras, mas inserir a criança em uma cultura ativa. O livro oferece aos educadores as ferramentas intelectuais para reconhecer a inteligência de seus alunos e transformar o chão da escola em um espaço de diálogo real e produtivo. É uma referência incontornável que continua, com o passar dos anos, a despertar o compromisso ético e pedagógico com a educação de qualidade no país.
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Há quase três décadas, este livro vem acompanhando e formando professores em todo o país.
Escrito a partir de entrevistas realizadas com Telma Weisz, o texto articula pesquisa, experiência e reflexão crítica. Nele se encontram questões que permanecem centrais: o que, de fato, ensinamos quando alfabetizamos? Como reconhecemos os saberes prévios das crianças e compreendemos o modo como elaboram suas hipóteses sobre a escrita?
Qual é a responsabilidade da escola e do professor na mediação entre o sujeito que aprende e a cultura escrita? Em nova edição, revista e atualizada, a obra é referência incontornável no campo da alfabetização, ao oferecer aos educadores a possibilidade de repensar sua prática e renovar seu compromisso com a infância e o direito de todas as crianças à participação efetiva na cultura escrita.
Telma Weisz é uma das maiores referências em alfabetização no Brasil. Com sólida formação acadêmica e uma trajetória marcada pelo compromisso com a escola pública, é doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e dedicou sua vida a compreender os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita.
Sua atuação como formadora de professores em projetos fundamentais para a educação brasileira – como o PROFA/MEC, o Letra e Vida e o Ler e Escrever – impactou diretamente a prática pedagógica de milhares de docentes. Supervisora da pós-graduação “Alfabetização: relações entre ensino e aprendizagem”, do Instituto Vera Cruz, Telma também contribuiu para a elaboração do Currículo da Cidade (SME-SP) e integra a tradição de educadores que pensam a escola como espaço de emancipação.
Assista à entrevista no canal Na Ordem do Dia no YouTube:
DANIEL MORAES, é jornalista por formação e bookaholic por vocação. Ttransformou seu amor pela literatura no projeto Irmãos Livreiros, uma vitrine para o mercado editorial brasileiro. Além de atuar nos bastidores do setor com foco em branding e eventos do mercado de livros.













