Nas pegadas da Alemoa, publicado pela Buzz Editora — escrito por Ilko Minev, autor búlgaro que vive há mais de 40 anos no Brasil e se considera brasileiro nativo —, conta a história de descentes búlgaros judeus, radicados há muitas décadas nos  Norte do Brasil, que resolvem se embrenhar nas profundezas da Floresta Amazônica.

A obra, muito bem escrita apresenta uma narrativa linear, leve e de grande impacto, ao desvendar a história de descentes búlgaros judeus, radicados há muitas décadas na região Norte do Brasil, que embrenham nas profundezas da Floresta Amazônica, após a descoberta de uma missão nazista em solo tupiniquim, em 1930.

Com intuito de desvendar o caso — que de fato ocorreu —, aprofundar na história, em um passado remoto, surgiu a ideia de uma expedição pelo Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, em que a protogonista, Receba, seus irmãos, Daniel e Sara, e seus primos Oleg e Alice, e os filhos deles, David e Benjamin, percorreriam por duzentos quilômetros de terra batida e piçarra até chegar a sepultura do alemão Joseph Greiner, com um símbolo nazista, a cruz que esculpia informações sobre o pesquisador alemão:

“Joseph Greiner faleceu aqui em 02-01-36, de febre, a serviço da Pesquisa Científica Alemã, Amazonas, Jari, 1935 – 1937.”

Durante a ocupação nazista, que pretendia conquistar a Guiana Francesa e transforma-la em território alemão, os soldados seguidores do Fuller, deixaram vestígios por onde passaram, como uma cruz com a suástica em um pequeno e de difícil acesso cemitério no sul do Amapá.

Como forma de desvendar essa participação nazista, supostamente esquecida pelos alemães, Rebeca, filha de Licco, búlgaro, nascido na cidade de Sofia, encontra um livro alemão que fora de seu pai e, quando perguntado para seu tio Oleg, este apenas diz ser obra de Licco, seu pai e não ninguém naquelas bandas sabia ler em alemão.

“Tivemos a confirmação de que em 1935, ainda antes da Segunda Guerra Mundial, realmente houve uma bem organizada e bastante sofisticada expedição alemã, munida de hidroavião e de outros recursos avançados para a época, que, com a ajuda do governo Vargas, passou um ano e sete meses conhecendo e mapeando aquela remota e completamente desconhecida região na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.”

Aventuras, perigos e paixões recheiam a obra e transporta o leitor para uma região pouco conhecida, explorada e comentada, o Amapá. Além, claro, de viajar na história e desvendar mistérios jamais relatados nos livros escolares.

Nas pegadas da Alemoa, é um livro que explora o que o Brasil guarda em suas regiões mais inóspitas e somente através da escrita de Ilko Minev, pode-se conhecer segredos nazistas enterrados em nosso país.

O livro é surpreendente e prende a atenção do leitor do início ao desfecho. Uma obra emocionante que amarra com a narrativa de seu outro livro, “Onde estão as Flores”, também publicado pela Buzz Editora.

Altamente recomendado!

Nas pegadas da Alemoa, publicado pela Buzz, está disponível no site da Amazon:

Nas pegadas da Alemoa

E tinha muito mais: atônitos, descobrimos que nos arquivos federais em Berlim está guardado um documento antes secreto, com o título “Guayana-Projekt”, no qual o especialista em Amazônia e Untersturmführer da SS, Schulz-Kampfhenkel, recomenda explicitamente a invasão e a conquista da Guiana Francesa. Para ele, não era aceitável que a Inglaterra tivesse a Guiana, com sua capital Georgetown; que a Holanda fosse dona do Suriname; nem que os franceses possuíssem a Guiana Francesa, com sua capital Caiena, enquanto a Alemanha não tinha nenhuma base naquela região tão estratégica e rica em minerais.

“A tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões político-estratégicas e coloniais”, afirma ele. Em carta ao Reichsführer da SS, Heinrich Himmler, de 26 de abril 1940, Kampfhenkel dá ainda a receita para a fácil conquista daqueles territórios: a aliança com os indígenas e o aproveitamento das boas relações com o Brasil, cujo presidente, Getúlio Vargas, segundo ele, seria admirador de Hitler e de Mussolini.

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