Me conte mentiras (Tell me lies): a obsessão, o desejo e a toxicidade de um amor desmedido (livro 18+)

A obra que inspirou a série de televisão disponível no canal Hulu da Disney+ acompanha o relacionamento de Lucy e Stephen, que começa como romance de faculdade e se transforma num emaranhado de desejo, vergonha e manipulação. Escrito por Carola Lovering, autora best-seller nos Estados Unidos cujos livros foram traduzidos para dez idiomas , Me conte mentiras (Tell me lies) é um mergulho profundo nas armadilhas de uma paixão avassaladora e destrutiva.

A trama se inicia quando Lucy Albright chega à universidade pronta para um recomeço longe da sua vida em Long Island, afastada da mãe que ela nunca conseguiu perdoar e cercada de novas oportunidades entre novas amigas, festas, aulas e sexo e drogas. No entanto, tudo muda ao conhecer Stephen DeMarco, um cara gato, envolvente, sedutor e perfeitamente bom em dizer exatamente o que você quer ouvir.

O livro é dividido em 4 partes e é narrado em primeira pessoa, ora por Lucy, ora por Stephen. Os saltos no tempo estruturam a narrativa entre os anos de 2010, 2011, 2014 e 2017, revelando a mentira mais difícil de desmentir: aquela que contamos para nós mesmos.

Vale ressaltar que a obra é destinada a leitores 18+, por conta das intensas cenas de sexo explícito e conteúdo adulto. A dinâmica física entre o casal é central para a narrativa e marca profundamente a protagonista, como transparece na lembrança de Lucy:

“Ainda não consigo pensar nele sem pensar em sexo. Mesmo após a maior parte da carga emocional ter passado, a parte física continua surgindo de surpresa. Fecho os olhos e lá estou eu, de quatro, com ele atrás de mim, e imagino a expressão faminta em seu rosto — e não tem nada a ver com amor ou saudade. É algo visceral, animalesco, e eu gosto de pensar nisso. Há algo nesse tipo de sexo que me marca profundamente, que faz a lembrança voltar de repente, como se fosse uma dor crônica. Ele não foi o único que transou comigo assim; só foi o primeiro.”

A intensidade desse envolvimento é marcada por passagens de forte teor adulto, que refletem a urgência e o arrebatamento dos encontros:

“O gemido dela foi consentimento o bastante. Fechei a porta e nos encontramos no escuro. Tirei as roupas dela. Prendi a respiração quando Lucy desafivelou meu cinto. Sentir a pele dela na minha era como estar sob efeito do estasy de novo e não consegui me conter. Eu a empurrei contra os travesseiros e a penetrei de uma vez. Gozei da maneira mais silenciosa possível, o que não foi fácil. Estava tão eufórico que queria gritar para os céus, para qualquer força divina que tivesse trazido o sexo com Lucy de volta para mim.”

Me conte mentiras

O grande motor da angústia na narrativa é a figura de Stephen DeMarco. Ele é o retrato exato do manipulador magnético: usa a sedução como arma, transforma as inseguranças de Lucy em vantagens e possui uma necessidade quase impressionante de controlar a narrativa ao seu redor. Mesmo diante de mentiras evidentes, traições e desconfianças constantes, o laço se mantém em um ciclo vicioso de desgaste emocional:

“O tremor na voz dela denunciava o medo por trás da coragem. Tamborlei os dedos na mesa. A outra metade do meu sanduíche estava ali, em toda a sua glória apetitosa. Pensei em desligar o celular e comer. Eu já estava entediado e cansado das preocupações da Lucy a meu respeito, pelas supostas coisas suspeitas que eu tinha feito e as coisas ainda piores que ela achava que eu faria. Muitas vezes me perguntava, ainda mais nos últimos tempos, por que ela ainda queria ficar comigo. Lucy tinha provas de que eu traí, de que menti, e embora eu conseguisse prometer de forma convincente que não faria isso com ela, no fim das contas, ela sabia que eu era capaz daquilo.”

A genialidade, e o perigo, da construção de Carola Lovering está em nos permitir ir além do olhar de Lucy. Em Me conte mentiras, você não só vê o que Stephen faz, você entra na cabeça dele. É aterrorizante e fascinante acompanhar a frieza com que ele justifica seus atos e desvaloriza os sentimentos alheios:

“Esfreguei o corpo com sabão, pensando em como Lucy não era a pessoa certa para mim, nunca tinha sido. O que quer que Lucy esperasse de mim, naquela visão ingênua dela do nosso relacionamento, era quase cômico. Eu nunca lhe daria o que queria. Ela não sabia disso? E por que deveria? Não era como se Lucy me fizesse sentir bem comigo mesmo; ela nunca me fez feliz de verdade. E nunca faria. Era bonita, sim, mas às vezes, ainda mais nos últimos tempos, quando eu olhava bem para ela, já nem a achava tão bonita assim. Deixei o sexo atrapalhar tudo. De novo.”

Essa desconexão emocional culmina em uma visão utilitarista e fria dos afetos, onde o envolvimento é resumido a uma conveniência passageira:

“O encanto da Lucy sempre foi o fato de ela nunca ter sido minha namorada de verdade. No fundo, eu já sabia que um relacionamento com ela não ia durar. Estávamos presos naquele ciclo há tempo demais. Qual era o maldito sentido de continuar?”

Vale a pena ler Me conte mentiras publicado no Brasil pela Editora Nacional não romantiza o sofrimento amoroso, optando por expor com franqueza cirúrgica a anatomia de um relacionamento tóxico. Carola Lovering entrega um enredo viciante, repleto de nuances psicológicas, que nos prende do início ao fim justamente por nos fazer encarar os cantos mais sombrios da dependência emocional, da culpa e da autoenganação, culminando em passagens de intensa ressignificação do vazio e da passagem do tempo:

“A luz do sol inundava o carro enquanto seguíamos para casa. Minha mãe segurava minha mão, e eu torcia para que nunca a soltasse. Observei as árvores douradas e avermelhadas passando depressa, e vi uma garotinha carregando uma abóbora laranja enorme até a escada de uma casa. O outono tinha chegado sem que eu percebesse. O ar tinha cheiro de lenha queimada. Meu coração estava vazio e cheio ao mesmo tempo.”

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Me conte mentiras, está disponível na Amazon e nas principais livrarias do país.

Me conte mentiras

A obra que inspirou a série Me Conte Mentiras , disponível no Disney+ , acompanha o relacionamento de Lucy e Stephen, que começa como romance de faculdade e se transforma num emaranhado de desejo, vergonha e manipulação .

Lucy Albright chega à universidade pronta para um recomeço longe da sua vida em Long Island, afastada da mãe que ela nunca conseguiu perdoar e cercada de novas possibilidades. Amigas diferentes, festas, aulas e promessas. Até conhecer Stephen DeMarco, um cara irresistível, sedutor e perigosamente bom em dizer exatamente o que você quer ouvir.

Entre perspectivas alternadas e saltos no tempo, Me conte mentiras ( Tell me lies ) é um livro sobre a mentira mais difícil de desmentir: aquela que contamos para nós mesmos.

A história de um relacionamento tumultuado, mas inebriante, que se desenrola ao longo de oito anos. Quando Lucy Albright e Stephen DeMarco se encontram na faculdade, eles estão na idade de formação em que escolhas aparentemente mundanas levam a consequências irrevogáveis.

Assista ao trailer de Me conte mentiras (Tell me lies), no YouTube:

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Daniel Moraes

Daniel Moraes

Fundador do Portal Irmãos Livreiros

Escritor, editor, jornalista, comunicólogo e bookaholic assumido, criou do portal Irmãos Livreiros onde mantém atualizado com as novidades do mercado editorial.

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