A que horas meus pais chegam?: desenha dois retratos de infância que se espelham separados pelas distâncias sociais e urbanas

Em A que horas meus pais chegam?, escrito por Ana Carolina Neves e ilustrado por Renata Lourenço, a Editora Peirópolis apresenta uma obra delicada que se debruça sobre uma experiência universal da infância: a espera pela chegada dos pais ao fim do dia.

O livro apresenta duas realidades de infância distintas, se assemelham. De um lado, em um apartamento na cidade grande, uma criança observa o movimento da rua lá do alto, uma realidade nas grandes metrópoles. Já por outro lado,  no alto de um morro, outra criança vivencia o transcorrer das horas enquanto aguarda pela chegada da mãe. Desse modo é perceptível analisar as distâncias que as separam, seja sociais e urbanas. Esses dois mundos se encontram na mesma contagem regressiva pelo reencontro.

A narrativa é marcada pelos estímulos sensoriais que anunciam a passagem do tempo: os sons, os cheiros e a rotina do bairro que se desenrola do lado de fora. Como destaca o texto, o olhar atento da criança captura os pequenos detalhes do cotidiano:

“Da janela do prédio, eu via o movimento da rua. A calçada feita de quadradinhos parecia a colcha da vovó. O carteiro passava por todas as casas. Quando tocava a campainha, era para o morador pegar uma encomenda.”

O tempo da espera é preenchido pelas vozes da cidade e pelos ruídos do ambiente. A obra retrata com precisão como o ritmo urbano invade o espaço interno:

“Hora do recreio: ouvi as crianças brincando no pátio da escola vizinha. Da esquina, um vendedor gritou: Quatro panos, 10 reais! Outro passou entre os carros: Olha a raquete mata-mosca, olha o carregador de celular!”

À medida que o entardecer se aproxima e o movimento das ruas muda, a ansiedade amorosa do reencontro ganha contornos poéticos:

“A Dalva foi pra casa dela e lanchamos pão quente com manteiga. Lá embaixo, eu via um rio de luzes amarelo e outro vermelho. Eram os carros que iam e vinham. Mamãe estava no ônibus?”

A que horas meus pais chegam

 

As ilustrações de Renata Lourenço desempenham um papel fundamental no livro, unindo formas geométricas marcantes, cores contrastantes e uma belíssima composição visual que dialoga perfeitamente com a sensibilidade do texto de Ana Carolina Neves. As imagens não apenas acompanham a leitura, mas expandem a narrativa ao traduzir conceitos abstratos, tal como como a passagem do tempo e as distâncias urbanas, em elementos concretos e visuais.

Essa estética auxilia significativamente as crianças em processo de alfabetização. O design visual expressivo oferece pistas contextuais valiosas, permitindo que os leitores iniciantes associem as imagens com as palavras impressas, estimulando a interpretação leitora e a percepção espacial.

Cada página funciona como um convite para observar, identificar formas do cotidiano e construir sentidos entre o texto e a arte.

A que horas meus pais chegam? publicado pela Editora Peirópolis, acolhe com empatia os sentimentos de ansiedade, afeto e saudade que acompanham as rotinas das famílias contemporâneas. Com sensibilidade poética e ilustrações encantadoras, a obra transforma o intervalo da espera em um território de descobertas e acolhimento, lembrando-nos de que, em meio ao ritmo acelerado do mundo, a presença e o abraço familiar continuam sendo o porto mais esperado.

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A que horas meus pais chegam

Kingston James é um garoto de doze anos e tem certeza de que seu irmão, Khalid, virou uma libélula. Apesar de Khalid ter morrido inesperadamente e se transformado em uma libélula do bayou da pequena cidade de Lousiana, ele ainda se mantém sempre próximo de King, fazendo visitas em seus sonhos.

Lidar com tudo isso seria mais fácil se o garoto pudesse buscar o apoio de seu melhor amigo, Sandy Sanders — mas, como último conselho ainda em vida, Khalid disse a King para romper a amizade com Sandy, pois havia descoberto que ele poderia ser gay: “Você não quer que ninguém pense que você é gay também, ou quer?”.

Mas quando Sandy desaparece, colocando toda a cidade, a sua procura, King descobre que seu ex-melhor amigo está em uma barraca no seu quintal, se escondendo de seu pai abusivo. Assim, os dois começam uma aventura, construindo um paraíso privado no bayou, entre as libélulas. Quando a amizade de Sandy e King é retomada, ele é forçado a confrontar questões sobre si mesmo e sobre a morte de seu irmão.

King e as libélulas explora raça, sexualidade, luto e identidade de uma forma íntima e próxima aos jovens, com uma lição de amor e libertação.

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Daniel Moraes

Daniel Moraes

Fundador do Portal Irmãos Livreiros

Escritor, editor, jornalista, comunicólogo e bookaholic assumido, criou do portal Irmãos Livreiros onde mantém atualizado com as novidades do mercado editorial.

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